Relato Pediatr.
Visualizações
Total: 3504
Artrite gonocócica em criança
Balbi, V.A; Martinez, E.B.F.; Lino, R.R.G.
https://doi.org/ | Publicado em:
Resumo
INTRODUÇÃO: Acometimento articular na infecção gonocócica disseminada ocorre numa fase inicial bacterêmica com poliartralgia migratória ou aditiva de grandes articulações e tenossinovite que pode evoluir para artrite séptica de uma ou mais articulações.
OBJETIVO: Relatar caso de artrite gonocócica em pediatria e levantar a importância do início precoce da atividade sexual e seus riscos.
MATERIAL E MÉTODO: L.S.S., sexo feminino, 12 anos, apresentou febre. Durante 4 dias, dor no punho esquerdo, sem conseguir abrir a mão. Após dois dias, evoluiu com artrite e tenossinovite incapacitante funcional de tornozelo esquerdo, artrite de joelho direito e cotovelo esquerdo. Não houve regressão do quadro com o uso de penicilina benzatina e ibuprofeno. Foi internada e iniciada oxacilina e ceftriaxone por ter vida sexual ativa. Sem suspeita de abuso. Nos exames laboratoriais havia elevação das provas de atividade inflamatória, cintilografia óssea com hipercapatação sugestiva de processo inflamatório/infeccioso articular e cultura do líquido sinovial purulento com crescimento de Neisseria gonorrhoeae sensível a ciprofloxacina e resistente ao ceftriaxone. Após 10 dias de antibioticoterapia com ciprofloxacino, a paciente já apresentava significativa melhora clínica e laboratorial. Realizado também o tratamento presuntivo de Clamydia com azitromicina.
RESULTADOS: O padrão articular descrito é um exemplo clássico de artrite gonocócica. Essa geralmente ocorre em adultos jovens com vida sexual ativa mas é relatada em todos os grupos etários pediátricos. A identificação da bactéria nem sempre é possível devido à baixa sensibilidade da cultura no sangue e no líquido sinovial. Entretanto, nesse caso foi identificado o germe no liquido sinovial. Houve boa resposta ao tratamento, conforme descrito na literatura.
CONCLUSÃO A dificuldade e estranheza em levantar a hipótese de doenças sexualmente transmissíveis (DST) na população pediátrica muitas vezes atrasam o diagnóstico e o início do tratamento. O caso é relevante, já que sinaliza para a maior incidência das DST na faixa etária pediátrica devido ao início precoce da atividade sexual.
Responsável
VERENA ANDRADE BALBI
Sobre os Autores
Métricas do Artigo
581
Visualizações HTML
2923
Downloads PDF
Conteúdo Relacionado
Artigos dos mesmos autores:
Como citar esse artigo:
Balbi, V.A; Martinez, E.B.F.; Lino, R.R.G.. Artrite gonocócica em criança. Relato Pediatr. . DOI: